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segunda-feira, julho 11, 2005

Encontro às escuras


Escrito propositalmente na segunda pessoa...

Você estava na mesa da praça de alimentação do shopping da cidade de (...) e tamborilava nervosamente os dedos na mesa, olhando cada pessoa que passasse ao seu lado.
Você jamais havia feito isso, marcar um encontro com alguém que conheceu apenas pela Internet.
Apenas fotos foram trocadas, mas nunca um número de telefone ou algo mais íntimo.
Você estava excitada e nervosa com a expectativa de conhecer pessoalmente ele que tornara-se algo tão presente nos últimos dois meses. Muitas e longas conversas foram travadas durante este tempo.
Era sempre um papo agradável, você sempre ficava ansiosa para que ele aparecesse no messenger logo pela manhã.


Um oi tímido, tal qual os do internet, você ouviu vindo das suas costas. Um cara medianamente bonito, realmente parecido com as fotos que você recebeu

Gostou, realmente gostou do que viu. Foi um papo gostoso, ele invadindo a sua alma através dos seus olhos, te deixando ligeiramente sem jeito

Durante as duas horas que você esteve com ele naquela mesa, confirmaram-se os desejos e saíram dali direto para um hotel onde passariam a noite juntos.

No outro dia pela manhã, você deixou um simples bilhete para ele :
"Foi delicioso mas não devemos nos ver mais pois eu realmente ainda amo outra pessoa. Adeus"

quinta-feira, julho 07, 2005

Homenagem à Nelson Rodrigues

Mário estava trabalhando tranquilamente na sua sala quando Rogério chegou e pediu para ter uma conversa.
Já eram amigos a um certo tempo, uns dois anos mais ou menos. Mário frequentava a casa dele e da sua esposa Ana.
No início era algo tranqüilo, uma cervejinha com uma lingüiça frita umas duas vezes por mês ou menos.
Com o tempo, Mário comecou a observar melhor Ana, uma loira linda, não muito alta, mas com um sorriso maravilhoso e boca carnuda rosada que dava calafrios de vontade de beijar. Ela sempre sorridente e prestativa, algumas vezes com roupinhas ínfimas que deixavam Mário louco para abracar aquele corpo, acariciar aquelas coxas grossas e branquinhas. Ana comecou a notar que era observada, principalmente quando ia até a geladeira buscar uma cervejinha gelada, com um levíssimo e discreto rebolado que fazia Mário até perder o rumo da prosa com Rogério.

- Mário, a Ana esta saindo com alguém

Essa frase gelou a alma do Mário. Ele, mesmo com a consciência pesada, estava saindo com a Ana a uns dois meses. Nao resistiu aos olhares castanhos dela, a boca rosa e carnuda, aos cabelos dourados e as coxas brancas e grossas.

- Que isso, Rogério. Tá doido??
- Amigo, queria estar. Já andava desconfiado, mas arrumei um jeito de descobrir o safado. Grampeei o telefone la de casa, coloquei escuta em tudo que é lugar.

Aquilo desesperou Mário, achando que o Rogério ja tinha desconfiado e descoberto suas idas a casa dele.

- Preciso de um favor seu.
- Meu??
- Seu sim, eu não tenho coragem de ouvir as fitas, cara... Não tenho coragem. Eu amo demais a Ana para descobrir algo. Voce vai ter que ouvir para mim e me contar.
- Tá maluco?
- Cara, você é meu melhor amigo, vai ter que fazer isso para mim.

Mario, para não dar na cara pegou as fitas e levou para casa.
No outro dia, foi ate a casa do Rogerio quando ele não estava e deu uma surra daquelas em Ana.

Descobriu que ela estava saindo com Mateus, um outro colega deles de trabalho...
Chifrar o marido ainda va lá, mas chifrar o amante?