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terça-feira, janeiro 31, 2006

Obrigado por passar por aqui


Quero usar este post para apenas agradecer por você ter passado por aqui.
Sei que às vezes sumo e deixo de postar (falta de inspiração? Melancolia? Falta de tempo?) mas você vira e mexe ainda insiste em dar uma olhadinha "para ver o que aquele tolo escreveu".

Simplesmente, obrigado...

segunda-feira, janeiro 30, 2006

Chuva

[Deletado]
Estava melancólico demais. Ninguém merece!
Bola pra frente

terça-feira, janeiro 24, 2006

Impossíveis

Algumas coisas nas nossas vidas tornam-se insubstituíveis.
Uma pessoa amiga, um aperto de mão, um olhar.
Um desejo inconfessável.
Às vezes, até mesmo as coisas impossíveis continuam sendo importantes.
Mesmo estando tão longe e tão perto ao mesmo tempo
Sempre chamando a nossa atenção, prendendo nosso olhar a cada vez que a vemos ou desejamos
Isso me lembra um dos preceitos do budismo, muito bem traduzido por Renato Russo:
"E toda dor, vem do desejo de não sentirmos dor"
Estar preso a essa sensação de incompletude, porque jamais saberíamos como seria a nossa vida com aquela coisa que inconfessavelmente continuamos a desejar, causa sofrimento e dor.

terça-feira, janeiro 10, 2006

Caras como eu

Caras como eu estão ficando raros
com os cabelos ralos
que se partem e caem pelo chão
caras como eu estão tirando o pé

andando em marcha ré
com medo de andar na contra mão
como trens do interior

que não chegam no horário
como velhos elefantes que morrem solitários
caras como eu estão ficando chatos

como solas de sapatos que se gastam com o passar do tempo
não vou mais medir o tempo
não vou mais contar as horas
vou me entregar ao momento
não vou mais tentar marcar o tempo
como palavras de amor que não se guardam em disquetes

como um segredo sem valor que a gente nunca esquece
caras como eu estão ficando velhos

calçando seus chinelosconcluindo que não há mais tempo
não vou mais medir o temponão vou mais contar as horas
vou me entregar ao momento
não vou mais tentar marcar o tempo

Tony Belloto (Titãs)

sexta-feira, janeiro 06, 2006

Recomeçar

"Desejo que você tenha a quem amar
E quando estiver bem cansado
ainda exista amor pra recomeçar
Pra recomeçar...
"

Não desistir faz parte do jogo, recomeços a cada dia.
Acreditando que o dia vai renascer comemorando apenas o prazer de ser novo, com novas chances de felicidade.

quinta-feira, janeiro 05, 2006

Tristeza

Existem dias que não deveríamos seque acordar...
A angústia vai corroendo tal qual ácido cada pedaço da nossa alma. Destruindo todas as vontades, arrastando para uma melancolia sem volta.

segunda-feira, janeiro 02, 2006

Microondas

"Tem coisas lá em casa que eu nem ligo mais, pra não ter que desligar.
Pessoas da minha vida parecem sumir, mas insistem em voltar.
Amores requentados, feito pão dormido, vêm do microondas.
E o bom e velho gosto de romance antigo é sempre bom de recordar."
Microondas - Bidê ou Balde

Temos uma mania de relembrar o passado.
A rusgas vão com as rugas deixando somente o que achamos quer eram as coisas boas.
Coisas que no passado eram intragáveis hoje ficam sendo desejáveis.
Olhando para trás ficamos comendo só comida requentada, velhos sabores, sem graça mas pelo menos conhecidos.
Olha pra frente cara! É lá que está seu futuro. Chega de esquentar coisas no microondas.

40

Ele acordou naquele sábado, meio ressaqueado e lembrando que era seu aniversário.

"40 anos... Put* merd*", pensou ele.

Levantou-se, enrolado no lençol deixando uma mulher anônima descoberta. Ela estava vestida apenas com uma camiseta que ele emprestara logo após terem feito amor durante a madrugada, quando ele a trouxera de uma boate.
Nem o nome dela ele sabia. Ficou olhando para aqueles 20 anos no máximo, corpo lindo, rosto nem tanto, mas de certa forma ingênua e cheia de esperanças.

Ele reclinou-se e deu um beijo na testa, ela acordou devagarzinho, piscando olhinhos verdes.
"Oi... dormi muito?"
"Não gatinha, eu estava apenas olhando para você"
Ela levantou o rosto, pedindo um beijo que ele não correspondeu.
"Desculpe, mas você tem que ir embora, vou chamar um táxi para você".
"Fiz algo errado?"
"Não, minha lindinha, de maneira alguma. Mas seu tio aqui tem que trabalhar"
"Hoje é sabado, meu coroa gatão, deita aqui na cama, vamos namorar um pouco mais"
"Não dá mesmo, vou fazer café e chamo um táxi para você"
Tomaram um capuccino com um pão que ele buscou na padaria ao lado, ela procurava olhar mas ele desviava-se.
"Você tá com raiva de mim? Me achou feia?"
Ele sorriu
"Lógico que não, você é muito linda"
"Tem certeza? Então porque quer que eu vá? Me deixa ficar aqui com você".
"Eu tenho que trabalhar mesmo, sério"
Chamou o táxi e ela foi embora, deixando um pedaço de papel com um telefone anotado "Ligar para a Melissa nro .... ...."
Ele sabia que nunca ia ligar, aliás nunca ligava.

Desde os seus 30 anos ele evitava a todo custo qualquer ligação com uma mulher.
Saía para bares com amigos e para boates sozinho. Sempre teve aquele olhar rápido que identificava quais mulheres estavam disponíveis no recinto.
Tinha um sorriso e olhar sacanas que ajudava um papo de médio para bom.
Quando ela abaixava a guarda ele atacava. Sabia identificar a hora certa de beijar e abraçar uma mulher.
Geralmente as noites terminavam igual aquela do 40o aniversário, uma noite gostosa, uma despedida rápida e um vazio enorme na alma dele.

Desde os 30 anos desistira por completo de se apaixonar novamente.
"Não fui feito para casamento", dizia a todos seus amigos casados, em almoços em que as esposas de seus amigos apresentavam amigas para ele, para ver se ele se aquietava.

Ele simplesmente não queria mais o amor, desistira desse sentimento desde que um grande amor da sua vida o abandonara.
Depois Dela, começou uma contabilidade sexual que deixava seus amigos boquiabertos, para ele vazio e sem sentido.
Parara de contar quando chegou a uma centena de garotas novas, bonitas ou não. Era tudo muito estranho, era um conquistar fervoroso, quase uma caça de um felino solitário. Mas logo depois que a presa era feita, desfaziam-se todos os desejos.

Nenhuma mulher naqueles últimos 10 anos fizera o seu coração bater diferente.

Profissionalmente estava no auge da carreira, fisicamente orgulhava-se de apesar dos 40 anos estarem próximos, poucas rugas ou cabelos brancos denunciassem o seu lado "tio".

Tudo isso passava pela cabeça dele, as 10:00 da manhã do dia do seu aniversário, quando olhava no espelho e fazia a barba.
Parou o barbear para atender a mãe ligando para dar os parabéns.
Ele estava melancólico e deprimido. A rotina somada à falta de esperança de mudanças na sua vida estavam sufocando.
Enquanto a mãe desejava mais anos de vida uma lágrima insistente correu pelo canto do olho.

Terminou o barbear, calçou um par de tênis e foi correr na rua, coisa que aprendera a fazer desde que Ela o deixara. Naquela época corria até o pulmão quase explodir e chegava em casa, exausto, dormindo logo sem dar tempo do choro da saudade demonstrar-se. Agora era apenas um hábito. Correr fazia-o sentir-se um pouco mais vivo.

Corria por uma avenida, vendo carros e motos passando.

Parou no sinal vermelho e viu-A.
Ela estava ali, a 5 metros dele. Linda como a 10 anos.
Um passo a frente,
uma freada,
um baque,
um gosto salgado na boca,
tudo escuro no seu aniversário de 40 anos...

domingo, janeiro 01, 2006

E se a gente...?

E se a gente aproveitasse os bons ventos do mês de Agosto e saísse para soltar pipa, permitindo o mesmo vento assanhar nossos cabelos, ouvir seu uivo, brincar de sentir medo?
E se a gente resolvesse dar um abraço de Feliz Natal no meio do ano, e sem regras, enviasse um cartão de feliz aniversário a um amigo em um dia qualquer?
E se a gente chegasse mais, chegasse juntos, chegasse antes?
E se a gente subisse aquela montanha?
E se parasse o carro bem aqui, no meio dessa viagem, e decidisse fazer amor ou namorasse perdidamente como se não houvesse tempo, nem compromisso algum?
E se a gente enviasse as cartas e bilhetes que desejamos?
E se pedisse perdão ou ligasse para alguém que há muito não se fala, nem se vê?
E se a gente deixasse um pouco de lado a curiosidade sobre a vida alheia, e olhasse mais nos olhos das pessoas que amamos e sussurrasse palavras belas no ouvido de escuta boa?
E se a gente tivesse mais tempo e desligasse mais os aparelhos celulares, televisores, bips da vida? E ficasse de bate-papo?
E se a gente se interessasse mais sobre assuntos da natureza, humor, antepassados?
E se a gente visitasse mais as casas de nossos parentes e amigos?
E tomasse mais suco da fruta, menos açúcar, menos química?
E se a gente se abraçar de frente, sem medo, sem vergonha, sem julgamentos?
E se a gente pisasse descalços pela terra molhada pela água da chuva, e tomasse mais o sol da manhã, e contemplasse...?
E se a gente decidir ouvir a voz do coração?
E fazer um cooper, nadar nos rios, visitar cachoeiras sagradas?
E se a gente fizesse uma surpresa para alguém tão especial só para ver o semblante de espanto e graça?
E colocasse farelos de pão e biscoito na beira do muro para ver os pardais se alimentando daquilo que fabricamos?
E se a gente entrelaçasse nossos dedos e fixasse no mural nossa foto e dançasse no baile como dançamos no banheiro de nossa casa?
E se a gente mudar aquilo que não está bom? E lutasse por dias melhores? E denunciasse o que anda tão ruim?
E aprendesse a tocar ou pintar ou dançar ou cantar ou bordar ou gargalhar?
E se a gente aprendesse a relativizar problemas e compreendesse que tudo passa e que somente Deus fica?
E se a gente gritasse que o coração não está à venda, nem as memórias, nem os sonhos?
E se a gente ficasse mais tempo com os velhos e crianças? E ouvisse suas histórias, os causos, os amores?
E se a gente conversasse mais com nossos Anjos, e acendesse mais velas e incensos, e colocasse intenções de doçura em tudo que fazemos?
E se a gente se encontrasse mais?
E fosse ali na esquina só para ver o movimento? E corresse da correria? E tivesse mais alegria?
E se a gente tirasse mais fotos, fizesse menos reuniões de decisão e mais de celebração?
E rezasse baixinho, mesmo na parada do semáforo, mesmo na lotação do ônibus, mesmo na espera da fila?
E erguesse mais as mãos ao céu...? E dividisse as dores e conquistas, as virtudes e deficiências?
E se a gente desse chance para uma nova vida, um novo amor, um novo trabalho?
E se a gente relasse mais?
E olhasse mais para os lírios do campo...? E usasse mais o olfato? E usasse menos a fantasia?
E se a gente tomasse consciência de que tudo isso escrito aqui e muito mais é menor do que a vida que corre em nossas veias?
Eu valorizaria muito mais minha passagem, minha existência, os passageiros, o embarque, o desembarque...E seria mais feliz!


Roberto Júnior