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sexta-feira, janeiro 16, 2009

Provocações

Perto de Tóquio vivia um grande samurai, já idoso, que agora se dedicava a ensinar o zen-budismo aos jovens. Apesar de sua idade, corria a lenda de que ainda era capaz de derrotar qualquer adversário.
Certa tarde, um guerreiro, conhecido por sua total falta de escrúpulos, apareceu por ali.
Era famoso por utilizar a técnica da provocação: esperava que seu adversário fizesse  o  primeiro movimento e, dotado de uma inteligência privilegiada para reparar os erros cometidos, contra-atacava com velocidade fulminante.
O jovem e impaciente guerreiro jamais havia perdido uma luta.
Conhecendo a reputação do samurai, estava ali para derrotá-lo e aumentar sua fama. Todos os estudantes se manifestaram contra a idéia, mas o velho aceitou o desafio.
Foram todos para a praça da cidade, e o jovem começou a insultar o velho mestre.
Chutou algumas pedras em sua direção, cuspiu em seu rosto, gritou todos os insultos conhecidos, ofendendo inclusive seus ancestrais.
Durante horas fez tudo para provocá-lo, mas o velho permaneceu impassível.
No final da tarde, sentindo-se já exausto e humilhado, o impetuoso guerreiro retirou-se.
Desapontados pelo fato de que o mestre aceitar tantos insultos e provocações os alunos perguntaram:
Como o senhor pode suportar tanta indignidade? Por que não usou sua espada, mesmo sabendo que podia  perder a luta, ao invés de mostrar-se covarde diante de todos nós?
Se alguém chega até você com um presente e você não o aceita, a quem pertence o presente? - perguntou o Samurai.
A quem tentou entregá-lo, respondeu um dos discípulos.
O mesmo vale para a inveja, a raiva, e os insultos, disse o mestre. Quando não são aceitos continuam pertencendo a quem os carregava consigo.
"A sua paz interior, depende exclusivamente de você.
As pessoas só podem lhe tirar a calma, se você permitir."

sexta-feira, janeiro 09, 2009

Dona nobis pacem



http://www1.folha.uol.com.br/folha/mundo/ult94u488263.shtml

09/01/2009 - 15h00

Ofensiva israelense em Gaza matou 257 crianças palestinas, diz ONU



da Associated Press, na faixa de Gaza

A ONU (Organização das Nações Unidas) divulgou relatório nesta quinta-feira no qual indica que 257 crianças palestinas morreram e 1.080 ficaram feridas durante os 14 dias da ofensiva israelense contra alvos do movimento islâmico radical Hamas, na faixa de Gaza. No total, ao menos 760 palestinos e dez soldados israelenses morreram.

As crianças representam mais de metade da população de cerca de 1,5 milhão de palestinos na faixa de Gaza e pouco mais de um terço das vítimas dos ataques israelenses --que acusam o Hamas por usar as crianças e mulheres como escudos nos confrontos com seus soldados.

Diante dos constantes bombardeios e confrontos entre Israel e Hamas, os números podem variar. Segundo o Centro Palestino de Direitos Humanos, dos 760 mortos, ao menos 169 tinham menos de 17 anos. Já a Unicef, agência da ONU para crianças, ao menos cem crianças e menores foram mortos nos dez primeiros dias do confronto.

"Nós estamos falando de uma guerra urbana", disse Abdel-Rahman Ghandour, porta-voz da Unicef para o Oriente Médio e norte da África. "A densidade da população é tão grande que é muito fácil acertar crianças. Este é um conflito único, onde não há lugar para ir".

gerações sucessivas de crianças cresceram em meio a um cenário de violência em Gaza. No final dos anos 80, muitas delas atiraram pedras contra os soldados israelenses em uma revolta contra a ocupação. Na segunda Intifada, iniciada em 2000, algumas foram recrutadas pelos militantes para serem homens-bomba.

"O mais difícil para as crianças é o senso de que nenhum local é seguro e de que os adultos não podem protegê-las', disse Iyad Sarraj, psicólogo que se protege em seu apartamento na Cidade de Gaza junto aos quatro enteados. Segundo Sarraj, um deles, Adam, 10, tem ataques de asma toda vez que os bombardeios começam.

Crimes de guerra

A alta-comissária de Direitos Humanos da ONU, Navi Pillay, pediu nesta sexta-feira investigações "críveis e independentes" sobre eventuais violações do direito humanitário internacional nos confrontos em Gaza, o que pode configurar crimes de guerra, como o ataque a locais que abrigam civis.

A ONU denunciou nos últimos dias os ataques israelenses a escolas e uma casa que abrigavam civis palestinos e a um caminhão que levava ajuda humanitária à região e que estava, segundo a agência, devidamente identificado. Segundo a ONU, 42% das cerca de 760 vítimas dos 14 dias da ofensiva militar israelense contra alvos do movimento islâmico radical Hamas são crianças e mulheres.

Pillay pediu o envio de monitores de direitos humanos da ONU para Israel, Gaza e a Cisjordânia, a fim de documentar violações e apontar autores. "O círculo vicioso de provocação e retaliação deve ser encerrado", disse Pillay numa sessão especial do Conselho de Direitos Humanos da ONU, um dia depois de uma resolução do Conselho de Segurança que exige um cessar-fogo imediato e que foi rejeitada por Israel e Hamas.

"A responsabilização pelas violações do direito internacional deve ser assegurada. Como primeiro passo, investigações críveis, independentes e transparentes precisam ser realizadas para identificar violações e estabelecer responsabilidades", disse.

Pillay, ex-juíza do Tribunal Penal Internacional, afirmou ainda que as violações do direito humanitário internacional podem constituir crimes de guerra, "para os quais a responsabilidade penal individual pode ser invocada".

Israel mantém os ataques aéreos, navais e terrestres mesmo diante da crescente pressão internacional por um cessar-fogo. A ONU, assim como outras organizações humanitárias, condenam Israel pela morte de civis em Gaza.